Stories Santuário de Fátima, Portugal

Fátima

Sou agnóstico.

Sou oriundo daquela geração...daquela parte fragmentada da humanidade que acredita em algo. Mas mais do que acreditar...sente que algo existe.

Também eu falo com o meu "Deus"...o meu "Anjo da Guarda" que me guia e aconselha. Que me responde quando preciso de respostas e que se cala quando faço perguntas triviais.

Sinto que faço parte de algo e que tudo e todos estão ligados e parte do mesmo todo fazemos.


É impossível ir ao Santuário de Fátima e não sentir nada. É impossível ser indiferente aos que ali rumam. 

No que diz respeito ao chamado milagre de Fátima, sou cético... Também não posso argumentar que não ocorreu coisa alguma ou que essa coisa alguma fosse na verdade a Virgem Maria...ou um extra-terrestre que nos visitou e achou piada ao quadro pitoresco com os três pastorinhos e fez uma pausa para tirar um foto (daí a luz do clarão que foi relatada... Flash alien).

Mesmo que nada se tenha passado e tudo isto seja um embuste da igreja, mesmo assim acho fascinante e incrível a convergência de energias positivas e o ambiente indescritível que se faz sentir naquele lugar de culto para uns ou objecto de estudo da humanidade para outros.


Cheguei ao Santuário ás 5:45 da sexta feira 12 de Maio. Chovia e fazia frio. Já se encontravam várias centenas de pessoas no recinto. Foi uma experiência fantástica acompanhar o preenchimento dos espaços cinzentos pela vida multicolor.

Foi uma experiência fantástica, cruzar-me com tantas culturas diferentes e pessoas de todos os cantos do mundo em tão pouco tempo e num espaço limitado.

Conhecer o Janni que veio da Córsega e tal como eu também ele fotografava os peregrinos, a senhorita do México que com orgulho exibia o traje típico do seu país. As simpáticas freiras da Colômbia, as senhoras fixes de Ponte de Lima que passaram três dias e duas noites sentadas numa "cabaninha" feita de sacos de plástico preto. As emigrantes que vieram de África do Sul, o padre africano que falava inglês e me interpelou mostrando o seu desagrado por eu o estar a fotografar sem o seu consentimento...ou então aquele grupo de espanhóis que me fuzilaram com o olhar enquanto eu os fuzilava com a minha fuji X-Pro2....


Foi a minha terceira visita a Fátima no dia 12 de Maio. Certamente não será a última. Cada vez que ali vou é como se fosse a primeira. Cada visita aí é como a descoberta de algo. Cada visita a este lugar especial me realiza como fotógrafo, mas principalmente como estudioso do comportamento humano e do milagre que é a vida.